{"id":142,"date":"2021-11-24T16:59:07","date_gmt":"2021-11-24T19:59:07","guid":{"rendered":"http:\/\/colegiodeaghape.com.br\/blog\/?p=142"},"modified":"2021-11-24T16:59:07","modified_gmt":"2021-11-24T19:59:07","slug":"conversas-com-mauricio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/colegiodeaghape.com.br\/blog\/2021\/11\/24\/conversas-com-mauricio\/","title":{"rendered":"CONVERSAS COM MAUR\u00cdCIO"},"content":{"rendered":"<p>Maur\u00edcio de Sousa \u00e9 uma figura praticamente onipresente na vida de todos os brasileiros. H\u00e1 mais de tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es, sua maior cria\u00e7\u00e3o, a Turma da M\u00f4nica, vem ajudando crian\u00e7as a ler suas primeiras palavras e a entender que o mundo pode ser bem mais divertido do que parece.<br \/>\nPara muitos, a figura deste homem que criou centenas de personagens \u00e9 cercada de curiosidade. O que pensa o Maur\u00edcio pai que est\u00e1 por tr\u00e1s do Maur\u00edcio artista? Quais s\u00e3o seus sonhos e aonde ele ainda quer chegar? No auge dos seus 82 anos, tivemos a oportunidade de entrevist\u00e1-lo dentro da Maur\u00edcio de Sousa Produ\u00e7\u00f5es, um imponente pr\u00e9dio de 3.200 metros quadrados que abriga mais de trezentos funcion\u00e1rios e parece ter sa\u00eddo de dentro dos sonhos de todas as crian\u00e7as f\u00e3s da Turma da M\u00f4nica. Aqui, voc\u00ea vai descobrir um pouco mais sobre quem verdadeiramente \u00e9 Maur\u00edcio de Sousa.<\/p>\n<p><strong>Mais de cinquenta anos produzindo quadrinhos e ainda nessa profiss\u00e3o. Qual o segredo para manter a criatividade e continuar apaixonado pelo seu trabalho depois de tanto tempo?<\/strong><br \/>\nO trabalho de quadrinista, e dos artistas de forma geral, n\u00e3o tem fim e n\u00e3o deve ter. A gente acha que sempre pode fazer melhor e criar coisas que superem as anteriores. Voc\u00ea sempre acha que pode melhorar a mensagem que est\u00e1 passando. N\u00e3o tem fim, n\u00e3o tem aposentadoria, n\u00e3o tem tempo de validade. \u00c9 um trabalho sem fim, ainda bem! Porque se n\u00e3o fosse, eu estaria meio preocupado de n\u00e3o poder estar mais aqui nessa profiss\u00e3o.<br \/>\nNosso est\u00fadio vai fazer sessenta anos em 2019. Todos os anos fazemos uma festa de comemora\u00e7\u00e3o e, neste ano em especial, vamos premiar alguns funcion\u00e1rios que v\u00e3o fazer cinquenta anos de casa. Aqui ningu\u00e9m sai cedo. As pessoas s\u00f3 nos deixam quando a idade as obriga, quando chega a hora de descansar um pouco. E para esses funcion\u00e1rios que nos deixaram depois de tanto tempo n\u00f3s damos uma ajuda de custo para ningu\u00e9m ficar desamparado, sem rem\u00e9dio ou sem comida.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 que somos \u201cbonzinhos\u201d, mas sim que isso faz parte da natureza do nosso trabalho. Lidamos todos os dias com hist\u00f3rias, e isso nos permite ter essas a\u00e7\u00f5es de uma maneira sincera, sem nenhum tipo de demagogia. N\u00f3s sempre tivemos um cuidado especial com o ser humano que trabalha conosco. Isso est\u00e1 na nossa ess\u00eancia.<br \/>\nAl\u00e9m disso \u2013 alguns at\u00e9 dizem que \u00e9 um pouco de esperteza minha \u2013, eu n\u00e3o quero perder talentos que ajudei a formar. Ent\u00e3o dizem que eu fa\u00e7o essas coisas para segurar as pessoas aqui dentro. Mas a verdade \u00e9 que as pessoas t\u00eam liberdade. Quando a pessoa quer, ela sai de qualquer jeito.<br \/>\nQuem anda pelo nosso est\u00fadio sente que o ambiente aqui \u00e9 diferente. D\u00e1 vontade de trabalhar aqui dentro. E n\u00e3o \u00e9 porque n\u00e3o tem bronca de vez em quando. Isso \u00e9 normal de uma empresa, mas no conjunto as coisas s\u00e3o mais humanas.<br \/>\nNos velhos tempos, quando eu era mais jovem, eu era meio nervosinho. Eu ficava louco da vida quando chegava para mim um desenho malfeito produzido por um bom desenhista. A\u00ed eu soltava os cachorros mesmo.<br \/>\nFora isso, naquela \u00e9poca tudo era festa e as coisas eram mais f\u00e1ceis de certa forma. Eu costumava pegar um avi\u00e3o de repente para visitar meus colegas quadrinistas de Nova Iorque, do Rio de Janeiro. E l\u00e1 no Rio tem a praia de Copacabana, e voc\u00ea sabe como a coisa \u00e9 bonita. Nesses contatos eu aprendi muita coisa que me inspirou a escrever hist\u00f3rias e a construir o est\u00fadio como ele \u00e9 hoje.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o seus planos para o futuro? Teve algo no passado que voc\u00ea n\u00e3o p\u00f4de colocar em pr\u00e1tica e est\u00e1 tentando agora?<\/strong><br \/>\nTive um sonho que estou colocando em pr\u00e1tica agora que \u00e9 a internacionaliza\u00e7\u00e3o da Turma da M\u00f4nica. Quando comecei, o Brasil era um pa\u00eds muito isolado, quase uma ilha longe do mundo. Exportar era muito dif\u00edcil e, mesmo se eu quisesse, n\u00e3o ia conseguir. Fazer desenho animado era outra coisa mais dif\u00edcil ainda, praticamente loucura, porque n\u00e3o havia os materiais corretos nem tecnologia suficiente. Apesar disso, n\u00f3s fizemos alguns filmes, envolvendo milhares de pessoas no projeto. As produ\u00e7\u00f5es marcaram \u00e9poca, mas n\u00e3o pod\u00edamos manter uma frequ\u00eancia porque era muito caro.<br \/>\nImporta\u00e7\u00e3o, dificuldades alfandeg\u00e1rias, planos econ\u00f4micos que quase nos mataram. O Brasil definitivamente \u00e9 um pa\u00eds para fortes, corajosos e meio ensandecidos. Se voc\u00ea n\u00e3o for um pouco louco, n\u00e3o consegue fazer nada.<br \/>\nAo mesmo tempo, a nossa atividade \u00e9 muito prazerosa. Criar hist\u00f3rias e ver as crian\u00e7as na rua felizes com isso nos anima demais. Acho que somos um dos maiores alfabetizadores do Brasil. N\u00e3o tem crian\u00e7a que n\u00e3o aprendeu a ler com a Turma da M\u00f4nica. Todos os dias recebemos in\u00fameras mensagens de crian\u00e7as e adultos falando que aprenderam a ler com os nossos gibis. Isso \u00e9 lindo, porque abrimos a porta da leitura para essas pessoas. Ler \u00e9 uma liberta\u00e7\u00e3o, e sou muito grato por fazer esse trabalho. Tem hist\u00f3rias emocionantes sobre isso. O Sidnei, um amigo meu, conta que em algumas viagens para os rinc\u00f5es do Amazonas, entrando de barco em locais isolados, encontrou algumas escolas ind\u00edgenas perdidas na selva enfeitadas com cartazes da Turma da M\u00f4nica.<br \/>\nUma outra vez, eu viajei para alguns locais isolados na Bahia. Fui em uma cidade onde tinha um rio com pared\u00f5es de areia, e havia l\u00e1 uma turma de crian\u00e7as ind\u00edgenas brincando. Fiquei tentado a riscar na areia as personagens para mostrar para eles. E de repente eles vieram e come\u00e7aram a falar os nomes da M\u00f4nica, do Cebolinha e me perguntarem se eu era o Maur\u00edcio. Na hora, pensei: \u201cMeu Deus, eles me conhecem!\u201d.<br \/>\nE quando eu viajo para Maresias, na praia, fa\u00e7o a mesma coisa. Costumo desenhar no ch\u00e3o com palitos de sorvete e a crian\u00e7ada fica maluca. \u00c9 uma alegria. Eu coloco uma soma: alfabetizar um monte de gente, fazer a alegria das crian\u00e7as e dar emprego para milhares de pessoas. Isso tudo me deixa muito grato.<br \/>\nTrabalhamos com 150 f\u00e1bricas que licenciam nossos produtos e empregam, pelo menos, 30 mil pessoas. Isso conta muito socialmente, culturalmente e tamb\u00e9m para me dar mais vontade de continuar. N\u00e3o d\u00e1 para parar. N\u00e3o tem fim. Enquanto continuarmos conduzindo nossa atividade com carinho e objetivos n\u00e3o d\u00e1 para desanimar ou deixar para depois. Nem mesmo mudar de caminho.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 engra\u00e7ado notar a mudan\u00e7a que a inf\u00e2ncia passou de anos atr\u00e1s para agora. Em algumas entrevistas, voc\u00ea at\u00e9 mesmo fala que a inf\u00e2ncia \u201cencolheu\u201d. Como que a Turma da M\u00f4nica se adaptou a essas transforma\u00e7\u00f5es e por que voc\u00ea acha que a inf\u00e2ncia mudou tanto?<\/strong><br \/>\nCom certeza n\u00e3o mudou por minha culpa. Mudou porque tudo muda o tempo inteiro. Ainda mais hoje com os meios de comunica\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ando lugares de forma cada vez mais r\u00e1pida.<br \/>\nDe qualquer maneira n\u00f3s temos que nos adaptar aqui dentro tamb\u00e9m. Principalmente com a ca\u00e7ada \u00e0s bruxas do politicamente correto que est\u00e1 cada vez mais forte. Temos que ter alguns cuidados com assuntos que at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s fal\u00e1vamos de um jeito e agora precisam ter um outro enfoque, at\u00e9 porque as redes sociais n\u00e3o perdoam os erros.<br \/>\nTemos de ficar ligados e sentir o que vale a pena mudar radicalmente ou n\u00e3o. As pessoas vivem me perguntando por que n\u00e3o t\u00eam homossexuais nas nossas hist\u00f3rias, por exemplo. Bem, a hora que a sociedade aceitar todas as mudan\u00e7as que est\u00e3o acontecendo, inclusive no terreno da sexualidade, n\u00f3s vamos mudar tamb\u00e9m.<br \/>\nEu digo para os nossos roteiristas que nossas personagens n\u00e3o podem levantar bandeiras, mas sim devem segurar as bandeiras que est\u00e3o passando.<\/p>\n<p><strong>A Turma da M\u00f4nica agora est\u00e1 inclusive lan\u00e7ando personagens inclusivas, certo?<\/strong><br \/>\nExato! E \u00e0s vezes eu me culpo de n\u00e3o trazer algumas mudan\u00e7as mais rapidamente para as hist\u00f3rias.<br \/>\nPouco tempo atr\u00e1s, as pessoas estavam falando que n\u00e3o tinham personagens negras nas hist\u00f3rias. E realmente faltavam! Quando eu criei esse universo eu estava pensando na minha inf\u00e2ncia e, infelizmente, na minha inf\u00e2ncia n\u00e3o tive muito contato com negros. Eu tive apenas um amigo negro que acabou inspirando a cria\u00e7\u00e3o do Jeremias. Se eu estivesse num conglomerado com mais negros, com certeza teria criado mais.<br \/>\nAgora eu estou reparando meu erro. Criamos uma personagem chamada Milena, que \u00e9 negra e apresenta tra\u00e7os da cultura afro. Nas graphic novels tamb\u00e9m estamos mudando. Contratei dois roteiristas negros para que escrevam as hist\u00f3rias do jeito que eles quiserem e acharem necess\u00e1rio.<br \/>\nNossos produtos tamb\u00e9m s\u00e3o um outro t\u00f3pico que costumo receber muitas chamadas das pessoas. Muitos nos acusam de ganhar dinheiro em cima das crian\u00e7as, mas essa \u00e9 uma alega\u00e7\u00e3o muito injusta. N\u00f3s apoiamos as ind\u00fastrias brasileiras, e tudo que vendemos passa por crivos muito exigentes de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos. N\u00f3s n\u00e3o aceitamos nunca nenhum produto que n\u00e3o dar\u00edamos para nossos pr\u00f3prios filhos. N\u00f3s vamos nas f\u00e1bricas vistoriar sempre as produ\u00e7\u00f5es. Agora mesmo n\u00f3s vamos lan\u00e7ar no Jap\u00e3o produtos aliment\u00edcios. E isso, de certa forma, \u00e9 um atestado de qualidade para n\u00f3s, porque o Jap\u00e3o exige n\u00edveis de qualidade alt\u00edssimos.<\/p>\n<p><strong>Ainda nessa quest\u00e3o de reparar os erros do passado, tem algo que ainda est\u00e1 tentando mudar e n\u00e3o conseguiu?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 anos eu tento colocar a M\u00f4nica na escola e n\u00e3o consigo. As personagens s\u00e3o alfabetizadas, mas onde elas estudam que ningu\u00e9m nunca viu? Cad\u00ea a turminha ouvindo o professor, usando uniforme da escola?<br \/>\nChegamos pr\u00f3ximos a isso em um projeto recente, em parceria com o governo japon\u00eas, no qual fizemos um gibi educativo para ajudar as crian\u00e7as brasileiras a se adaptar \u00e0s escolas japonesas. S\u00e3o 350 mil fam\u00edlias brasileiras morando no Jap\u00e3o, e muitas das nossas crian\u00e7as sofrem preconceitos l\u00e1, principalmente pela quest\u00e3o lingu\u00edstica.<br \/>\nE por que eu n\u00e3o coloquei a M\u00f4nica na escola? Porque eu n\u00e3o achava uma proposta para isso. Existem diversas formas de encarar a educa\u00e7\u00e3o, e isso est\u00e1 mudando o tempo inteiro. Como criar uma escola universal para a Turminha? No Brasil ainda n\u00e3o temos esse modelo ideal, principalmente porque n\u00e3o temos uma continuidade pol\u00edtica dos projetos. Quando muda o dono da casa, muda todo mundo, infelizmente.<br \/>\nEu n\u00e3o podia colocar a M\u00f4nica numa escola que n\u00e3o existe, sen\u00e3o seria fantasia. Estou indo diversas vezes a Bras\u00edlia debater isso com educadores para achar um caminho e colocar as personagens na escola.<\/p>\n<p><strong>Pensando ainda nessa quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o e nas atuais crian\u00e7as leitoras, que tipo de adulto voc\u00eas gostariam que elas se formassem para o futuro?<\/strong><br \/>\nQueremos sempre passar valores de camaradagem, solidariedade, amizade, confian\u00e7a, esperan\u00e7a e uma dose de otimismo. T\u00e1 certo que otimismo depende muito da natureza de cada um, mas, mesmo assim, voc\u00ea pode mostrar coisas na hist\u00f3ria que podem ser criadas a partir de um pouco de otimismo.<br \/>\nA natureza humana \u00e9 assim, exige essas coisas. Os valores positivos ser\u00e3o sempre os vencedores, por mais que pare\u00e7a que as coisas n\u00e3o sejam assim. Como eu sou um otimista, se eu n\u00e3o conseguir que isso perpetue agora, vou conseguir depois. A vida \u00e9 longa. E mesmo que eu n\u00e3o esteja mais aqui, o legado continua.<\/p>\n<p><strong>Todos sabemos que seus filhos inspiraram as personagens das hist\u00f3rias. Mas e os adultos retratados dentro dos quadrinhos? Em quem voc\u00ea se inspirou?<\/strong><br \/>\nO pai da M\u00f4nica \u00e9 inspirado em mim. Mas a maioria foi simplesmente criada. \u201cCriada\u201d \u00e9 modo de dizer, porque eu sempre invento uma hist\u00f3ria e uma personagem achando que era algo \u00fanico. A\u00ed, aos poucos, eu percebo que todos os tra\u00e7os foram inspirados em algu\u00e9m, em algum amigo, primo ou familiar.<br \/>\n\u00c9 imposs\u00edvel criar qualquer coisa sem ter refer\u00eancias. Nada se cria. Tudo vem da vida e da viv\u00eancia. Eu fico sempre fazendo essa reflex\u00e3o, buscando achar onde foi o estopim que me fez criar determinada coisa.<br \/>\nTem at\u00e9 uma hist\u00f3ria engra\u00e7ada sobre essa quest\u00e3o. Uma vez, muitos anos atr\u00e1s, eu precisava escrever uma historinha de treze p\u00e1gina que ia sair no jornal do dia seguinte. Eu tinha que escrever e desenhar ao mesmo tempo, porque n\u00e3o tinha tempo h\u00e1bil para nenhum outro planejamento. S\u00f3 que durante todo o dia a ideia n\u00e3o veio, e eu comecei a ficar desesperado. A\u00ed sa\u00ed do est\u00fadio, que na \u00e9poca era na sede da Folha de S.Paulo, andei na rua, comprei pipoca, fui ao cinema, vi um filme em que nem prestei aten\u00e7\u00e3o e espaireci. Quando voltei para o est\u00fadio comecei a fazer a historinha. Comecei \u00e0s 23h e terminei \u00e0s 5h da manh\u00e3. Quando parei para contar, tinha ali exatamente treze p\u00e1ginas e pensei: \u201cMeu Deus, deu certo! Eu n\u00e3o acredito nisso!\u201d. Era uma historinha chamada Os Azuis, que virou antol\u00f3gica ao longo dos anos. A hist\u00f3ria parecia ter sa\u00eddo do nada, mas foi fruto de todas as viv\u00eancias daquele dia.<br \/>\nQuando eu conto essas coisas tem gente que diz que eu fa\u00e7o psicografia. Mas eu nem gosto de ouvir isso que fico assustado! Brincadeiras \u00e0 parte, tudo vem do aprendizado, da t\u00e9cnica, das leituras que voc\u00ea faz e que ficam na sua cabe\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>E a rela\u00e7\u00e3o fam\u00edlia e escola? Como voc\u00ea encara isso?<\/strong><br \/>\nA fam\u00edlia n\u00e3o deve ser o elo perdido, mas sim o elo atuante, que est\u00e1 l\u00e1 do lado da crian\u00e7a. Sem os pais ou a fam\u00edlia estando juntos, a crian\u00e7a n\u00e3o tem \u00e2nimo nem mesmo para estudar. No Jap\u00e3o, por exemplo, h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o grande em trazer os pais para a escola e n\u00e3o transform\u00e1-la em um dep\u00f3sito para crian\u00e7as.<br \/>\nE falando nisso, meu filho que mais me levou \u00e0 escola era o Maur\u00edcio, que inspirou o Do Contra. Era porque ele dava muito problema. Ele aprontava porque era muito esperto e inteligente. Vivia questionando as professoras querendo saber o sentido das coisas. Por exemplo, ele chegava na aula de religi\u00e3o e queria explica\u00e7\u00e3o para coisas que eram dogmas de f\u00e9. A\u00ed me chamavam na escola falando que n\u00e3o estavam conseguindo dar aula de religi\u00e3o com ele dentro da sala.<br \/>\nOutra hist\u00f3ria legal \u00e9 que houve uma vez um concurso para criar a bandeira dos jogos de primavera. Ele fez um desenho lindo e foi escolhido. S\u00f3 que um tempo depois me chamaram na escola e disseram que o Maur\u00edcio estava rebelde porque se recusava a terminar de desenhar a bandeira que fez ele vencer o concurso. Ele ent\u00e3o me deu uma explica\u00e7\u00e3o que at\u00e9 hoje \u00e9 muito engra\u00e7ada: \u201cPai, eu j\u00e1 fiz a ideia da bandeira. Eles querem que eu fa\u00e7a a arte-final, mas l\u00e1 no seu est\u00fadio cada um faz uma coisa. Um faz o desenho, o outro a arte-final. Ent\u00e3o deixa algu\u00e9m terminar, poxa\u201d.<\/p>\n<p><strong>Maur\u00edcio, para finalizarmos, poderia passar para as fam\u00edlias leitoras um recado final?<\/strong><br \/>\nLembrem-se de como voc\u00eas eram quando crian\u00e7as, o que voc\u00eas queriam dos seus pais e se cobrem dessa maneira. Todos nos lembramos da inf\u00e2ncia e dos nossos traumas. Lembrem-se da rela\u00e7\u00e3o com os pais de voc\u00eas, vejam o que sentiam falta e apliquem com seus filhos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maur\u00edcio de Sousa \u00e9 uma figura praticamente onipresente na vida de todos os brasileiros. 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