{"id":149,"date":"2021-12-07T09:47:48","date_gmt":"2021-12-07T12:47:48","guid":{"rendered":"http:\/\/colegiodeaghape.com.br\/blog\/?p=149"},"modified":"2021-12-07T09:48:49","modified_gmt":"2021-12-07T12:48:49","slug":"a-importancia-das-vacinas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/colegiodeaghape.com.br\/blog\/2021\/12\/07\/a-importancia-das-vacinas\/","title":{"rendered":"A IMPORT\u00c2NCIA DAS VACINAS"},"content":{"rendered":"<p class=\"font_8\">Em 2017, a cobertura de vacina\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as no Brasil atingiu o menor \u00edndice em 16 anos, de acordo com dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Enquanto a meta de imuniza\u00e7\u00e3o ideal, estipulada pelo pr\u00f3prio Minist\u00e9rio, \u00e9 acima de 95%, a taxa de cobertura de algumas vacinas \u2013 como a tetra viral, que protege contra sarampo, caxumba, rub\u00e9ola e catapora \u2013 chegou a apenas 70,7%. Com a queda da cobertura vacinal, aumenta-se o risco de doen\u00e7as eliminadas voltarem a circular.<\/p>\n<p class=\"font_8\">Ana Paula Sayuri Sato, professora do departamento de epidemiologia da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo (FSP-USP), explica que as vacinas t\u00eam fun\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o individual e coletiva. \u201cA pessoa que \u00e9 vacinada n\u00e3o vai adoecer e, consequentemente, n\u00e3o vai transmitir a doen\u00e7a. Se uma regi\u00e3o tiver alta cobertura vacinal, as pessoas que n\u00e3o podem se vacinar ficam protegidas por conta da chamada prote\u00e7\u00e3o de rebanho\u201d, diz. Uma vez que a imuniza\u00e7\u00e3o cai, a prote\u00e7\u00e3o coletiva \u00e9 bastante prejudicada.<\/p>\n<p class=\"font_8\">A especialista cita o ressurgimento do sarampo no Brasil como uma consequ\u00eancia da baixa cobertura de vacina\u00e7\u00e3o. Em setembro de 2016, o Brasil recebeu da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) o certificado de elimina\u00e7\u00e3o do sarampo. Foi o primeiro pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina a conseguir este certificado e isso aconteceu porque o \u00faltimo caso da doen\u00e7a registrado no pa\u00eds foi em 2015. Desde 2000, n\u00e3o havia registro de nenhum caso aut\u00f3ctone, ou seja, contra\u00eddo dentro do Brasil, apenas ocorr\u00eancias trazidas de fora.<\/p>\n<p class=\"font_8\">Em 2018, com o aumento do fluxo de migrantes refugiados da Venezuela para a regi\u00e3o Norte do Brasil, o pa\u00eds viveu novamente um surto de sarampo, potencializado pela queda da cobertura vacinal da doen\u00e7a. At\u00e9 outubro de 2018, mais de 2.000 casos da doen\u00e7a tinham sido registrados no Brasil, quase todos na regi\u00e3o Norte, especialmente nos estados do Amazonas e Roraima.<\/p>\n<p class=\"font_8\">\u201cOs surtos est\u00e3o relacionados \u00e0 importa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o gen\u00f3tipo do v\u00edrus que est\u00e1 circulando no Brasil \u00e9 o mesmo que circula na Venezuela, pa\u00eds que enfrenta um surto da doen\u00e7a desde 2017\u201d, afirma o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<h2 class=\"font_8\">Por que houve queda na vacina\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n<p class=\"font_8\">N\u00e3o se sabe ainda quais s\u00e3o todos os motivos que levaram \u00e0 queda na imuniza\u00e7\u00e3o no Brasil, mas um deles \u00e9 a falsa percep\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio vacinar as crian\u00e7as depois que n\u00e3o se registram mais casos de doen\u00e7as. Outra causa tamb\u00e9m \u00e9 a dissemina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es incorretas de que as vacinas fazem mal.<\/p>\n<p class=\"font_8\">A falsa no\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de que as vacinas n\u00e3o protegem, ou que s\u00e3o perigosas, \u00e9 constantemente refor\u00e7ada nas chamadas \u201cfake news\u201d (termo em ingl\u00eas para \u201cnot\u00edcias falsas\u201d). De acordo com Ivan Paganotti, jornalista, doutor em ci\u00eancias da comunica\u00e7\u00e3o pela USP e idealizador do projeto \u201cVaza, Falsiane\u201d \u2013 curso online sobre not\u00edcias falsas \u2013 as fake news s\u00e3o \u201crelatos que imitam a estrutura e formato jornal\u00edstico, para viralizar nas redes sociais. S\u00e3o comprovadamente falsas e feitas com a inten\u00e7\u00e3o de enganar\u201d, explica.<\/p>\n<p class=\"font_8\">\u00a0Paganotti explica que te\u00f3ricos da \u00e1rea elencam duas grandes motiva\u00e7\u00f5es para a cria\u00e7\u00e3o das not\u00edcias falsas. A primeira \u00e9 financeira, pois as informa\u00e7\u00f5es absurdas e exageradas, quando publicadas em sites, trazem mais audi\u00eancia, gerando receita para as p\u00e1ginas que as veiculam. Outra \u00e9 a motiva\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, que tem como prop\u00f3sito \u201cdestruir a reputa\u00e7\u00e3o de inimigos, fortalecer um candidato ou uma proposta pol\u00edtica\u201d, revela o jornalista.<\/p>\n<p class=\"font_8\">\u00a0O pesquisador em comunica\u00e7\u00e3o salienta ainda um terceiro motivo para a cria\u00e7\u00e3o de\u00a0 not\u00edcias falsas: a de \u201ctrollar\u201d, g\u00edria da internet que significa brincar ou sacanear. Ou seja, as fake news t\u00eam o intuito apenas de confundir e atrapalhar quem tenta se informar.<\/p>\n<p class=\"font_8\">Nos Estados Unidos existe uma forte corrente ideol\u00f3gica contra o discurso cient\u00edfico que integra, entre outros, o movimento antivacina. Esse movimento busca negar a efic\u00e1cia das vacinas e mostrar que os riscos s\u00e3o superiores \u00e0s vantagens, tudo isso por meio de informa\u00e7\u00f5es erradas. \u201cAlgumas fake news relacionadas \u00e0s vacinas citam pesquisas que j\u00e1 foram refutadas, misturam informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o verdadeiras e relatos inventados de efeitos colaterais das vacinas\u201d, conta Paganotti.<\/p>\n<p class=\"font_8\">No Brasil, o pesquisador diz que n\u00e3o h\u00e1 provas de um movimento ideol\u00f3gico antivacina\u00e7\u00e3o t\u00e3o forte e organizado quanto nos EUA. Ele acredita que a motiva\u00e7\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o dessas not\u00edcias falsas no Brasil se d\u00e1 pelo intuito de \u201ctrollar\u201d. \u201cA inten\u00e7\u00e3o \u00e9 gerar o caos, semear a desconfian\u00e7a nos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o tradicional e tirar o cr\u00e9dito das fontes seguras, fazendo com que as pessoas achem que tudo \u00e9 mentira\u201d, afirma o jornalista.<\/p>\n<p class=\"font_8\">As not\u00edcias falsas t\u00eam poder de viraliza\u00e7\u00e3o muito maior do que as verdadeiras, conta o pesquisador. Al\u00e9m do conte\u00fado exagerado, com tom de novidade, que chama a aten\u00e7\u00e3o do leitor, Paganotti cita o fator familiaridade, que traz mais confian\u00e7a na veracidade da informa\u00e7\u00e3o. Afinal, os conte\u00fados s\u00e3o compartilhados em c\u00edrculos de influ\u00eancia, como grupos de amigos e familiares.<\/p>\n<p class=\"font_8\">Para se tornarem mais veross\u00edmeis, as fake news incluem em sua estrutura a contesta\u00e7\u00e3o \u00e0s m\u00eddias tradicionais com discursos como: \u201cA m\u00eddia tradicional n\u00e3o quer que voc\u00ea saiba disso\u201d ou \u201cO governo est\u00e1 tentando mentir para voc\u00ea\u201d. \u201cIsso fortalece a impress\u00e3o de que esse \u00e9 o relato verdadeiro, porque j\u00e1 traz consigo a refuta\u00e7\u00e3o\u201d, explica Paganotti.<\/p>\n<p class=\"font_8\">O contexto temporal em que as fake news s\u00e3o pulverizadas tamb\u00e9m \u00e9 considerado. Seus criadores aproveitam o per\u00edodo de histeria e a falta de informa\u00e7\u00f5es oficiais para soltar as not\u00edcias falsas. P\u00f4de-se verificar esse fen\u00f4meno no Brasil, no come\u00e7o de 2018, quando houve um surto de febre amarela em diversos estados, provocando uma corrida aos postos de sa\u00fade, com filas gigantescas em busca da vacina. Em meio ao desespero, as not\u00edcias falsas alertavam para o perigo das rea\u00e7\u00f5es da imuniza\u00e7\u00e3o. Como consequ\u00eancia, as vacinas para febre amarela acabaram encalhando, pouco tempo depois, nos postos de sa\u00fade.<\/p>\n<h2 class=\"font_8\">Como funcionam as vacinas?<\/h2>\n<p class=\"font_8\">Para n\u00e3o cair nas not\u00edcias falsas, \u00e9 preciso entender como as vacinas funcionam. Elas operam em intera\u00e7\u00e3o com o sistema de defesa do corpo humano, tamb\u00e9m chamado \u201csistema imunol\u00f3gico\u201d, que nos protege de v\u00edrus, bact\u00e9rias e outros micro-organismos. Quando um desses invasores entra em contato com o nosso corpo, o sistema imunol\u00f3gico gera uma s\u00e9rie de sinais que resulta na produ\u00e7\u00e3o de anticorpos \u2013 prote\u00ednas de defesa espec\u00edficas para cada invasor.<\/p>\n<p class=\"font_8\">A vacina \u00e9 constitu\u00edda do ant\u00edgeno de uma determinada doen\u00e7a. Sendo que o ant\u00edgeno \u00e9, simplesmente, uma subst\u00e2ncia que provoca a forma\u00e7\u00e3o de anticorpos quando introduzida no organismo de uma pessoa. \u201cQuando o corpo tem contato com um ant\u00edgeno pela primeira vez, a resposta dele \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de anticorpos. Por ser a primeira vez, essa produ\u00e7\u00e3o demora e pode ser pouco potente, levando alguns dias para combater a doen\u00e7a\u201d, explica a especialista Ana Paula Sayuri Sato, professora da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da USP.<\/p>\n<p class=\"font_8\">Por outro lado, se a pessoa j\u00e1 tiver tido o contato com o ant\u00edgeno, por meio da vacina, por exemplo, seu corpo vai ter o anticorpo espec\u00edfico na mem\u00f3ria e o sistema imunol\u00f3gico agir\u00e1 de forma mais r\u00e1pida. \u201cA vacina, portanto, \u00e9 um treino para o corpo\u201d, diz a especialista.<\/p>\n<p class=\"font_8\">Ana Paula salienta que a seguran\u00e7a das vacinas \u00e9 muito testada antes de elas serem liberadas para uso p\u00fablico. \u201cDepois de identificar o ant\u00edgeno e fazer a vacina, h\u00e1 uma fase pr\u00e9-cl\u00ednica em que ela \u00e9 testada em laborat\u00f3rio, com animais. Depois, para verificar a seguran\u00e7a em humanos, h\u00e1 ainda mais tr\u00eas fases cl\u00ednicas, nas quais s\u00e3o feitos testes, primeiramente, em 20 ou 30 pessoas. O n\u00famero aumenta em cada fase, chegando a centenas de pessoas\u201d. S\u00f3 depois que a vacina passa por todos esses testes e obt\u00e9m certifica\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os reguladores, \u00e9 que ela pode ser disponibilizada para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"font_8\">O objetivo da imuniza\u00e7\u00e3o por meios das vacinas \u00e9 erradicar doen\u00e7as. Um exemplo bem sucedido \u00e9 a var\u00edola, considerada erradicada pela OMS em 1980. Desde ent\u00e3o, n\u00e3o foi registrado mais nenhum caso em todo o mundo. A poliomielite tamb\u00e9m est\u00e1 em vias de erradica\u00e7\u00e3o. J\u00e1 foi eliminada da maior parte do planeta, mas dois pa\u00edses ainda t\u00eam o v\u00edrus selvagem da doen\u00e7a circulando: Afeganist\u00e3o e Paquist\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span>A primeira vacina<\/h2>\n<p class=\"font_8\">A primeira vacina \u2013 quando ela ainda n\u00e3o era chamada dessa forma \u2013 foi descoberta e administrada por Edward Jenner, no s\u00e9culo XVIII. Na \u00e9poca havia um surto muito grande de var\u00edola e muitas pessoas morriam em decorr\u00eancia da doen\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"font_8\">Jenner observou que as leiteiras, que trabalhavam com as vacas, pegavam uma forma mais branda da var\u00edola \u2013 que era a bovina \u2013 e n\u00e3o pegavam a humana, respons\u00e1vel por muitas mortes.<\/p>\n<p class=\"font_8\">A partir disso, o pesquisador pegou a secre\u00e7\u00e3o da p\u00fastula \u2013 ferida t\u00edpica da var\u00edola \u2013 de uma leiteira e introduziu em um menino de 8 anos, chamado James Pitz, em 1796. Esta foi a primeira vacina. O m\u00e9todo foi reproduzido em outras pessoas na \u00e9poca, e percebia-se que elas n\u00e3o ficavam doentes.<\/p>\n<p class=\"font_8\">No s\u00e9culo seguinte, com o conhecimento da biologia, Louis Pasteur atenuou a bact\u00e9ria da c\u00f3lera, das galinhas, e deu o nome de vacina \u2013 origin\u00e1rio de vacas \u2013 em homenagem a Edward Jenner.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2017, a cobertura de vacina\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as no Brasil atingiu o menor \u00edndice em 16 anos, de acordo com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":153,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/colegiodeaghape.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149"}],"collection":[{"href":"http:\/\/colegiodeaghape.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/colegiodeaghape.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/colegiodeaghape.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/colegiodeaghape.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=149"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/colegiodeaghape.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":154,"href":"http:\/\/colegiodeaghape.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149\/revisions\/154"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/colegiodeaghape.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/153"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/colegiodeaghape.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=149"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/colegiodeaghape.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=149"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/colegiodeaghape.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}